Sofia Says Hello

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Ok. Eu fui lá fora.

Acontece que tinha uma gata - estranhamente parecida com a Stella, só que caolha (porque todo mundo nesse lugar só tem um olho?) - do lado de fora. Ela entrou e começou a puxar o fio solto da minha calça, me levando pra fora. então eu a segui. Fomos seguindo o curso do riacho que passava do lado da cabana. Era engraçado porque a água perto da cabana era cristalina, mesmo que o terreno fosse cheio de pedras, lixo e sem vegetação nenhuma. Subimos uma pequena colina abarrotada de containers e a água do rio foi escurecendo até um tom meio terroso, quando chegamos debaixo da mesma ponte da qual eu quase caí ontem. E adivinha quem estava lá me esperando?

Isso aí. Rodrigo.

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Era aquela senhora. O nome dela é Zizi. Ela é um amor, apesar de assustadora. Me levou pro barraco onde mora, super escondido. Estou escrevendo daqui. Nem sei quanto tempo se passou, mas ela disse pra eu não me preocupar, porque o tempo aqui é diferente. Aqui aonde? perguntei. Ela só me disse pra tomar o chá e descansar e como eu estava morta de cansaço mesmo, foi o que fiz. Acordei agora e não tinha ninguém aqui, só um bilhete me dizendo pra não ir lá fora.

O que será que tem lá fora?

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Desculpem a ausência

Nina, você que sempre lê isso, avisa pro pessoal do Caleidoscópio que eu tô bem e que peço mil desculpas por ter perdido o show na galeria do amigo do Beto. Ah, e por favor, fala pro Jean ler isso aqui. Espero que ele entenda. O negócio é que eu não sei onde estou. Parece um terminal, é completamente diferente de tudo que eu já vi. É um galpão todo branco com uns bancos no meio, mas não parece estar ligado a lugar nenhum. Está completamente deserto. Só tenho meu computador e o celular tá fora de área, mas a internet funciona, pode?  

Aliás, olha que esquisito, estou conectada a TUDO. Mas não sei explicar ainda. Como a Alice, vou começar pelo começo. Depois daquele show na minha estreia (aquele que eu desmaiei por causa das cores e vi a velha do olho de vidro) eu fui pra casa, por que estava atordoada demais com o que tinha acontecido. Não foi como todas as vezes que a gente se apresentou. Dessa vez as cores da música se misturaram com as das minhas pinturas e de repente eu estava passando como um raio no meio delas. Vocês disseram que eu perdi a consciência. Ah não! Eu nunca estive tão consciente. Vi a velha do olho de vidro e vi o Rodrigo vindo na minha direção. Então eu estava em pé no parapeito de uma ponte. Ouvi a voz dela: siga as cores. E acordei.

Falei pra todo mundo que estava bem (porque convenhamos, quem acreditaria?) e fui pra casa. Tentei falar com o Jean por que ele é o único que sabe do meu “dom”, mas não consegui. Foi aí que lembrei que tinha que pegar ele no aeroporto depois do show, coloquei umas coisas na bolsa e ia sair de casa quando o telefone tocou, mas de repente não estava mais lá.

Bom, o negócio é o seguinte. Eu não sei exatamente o que aconteceu, mas escrever sobre isso deve me ajudar. Eu enxergo as cores do som. Quando escuto música, também VEJO a música. É lindo, mas esquisito, já que eu sou a única pessoa que conheço que consegue fazer isso. Não sei ainda a causa, mas andei pesquisando. Parece que isso se chama sinestesia ou fusão de sentidos.

É o seguinte: assim como o som, a luz também tem uma frequência. E se duplicarmos a frequência da nota musical chegaremos à frequência da luz visível. E cada cor é claro, reflete uma certa quantidade de luz, variando de frequência. Fizeram até tabelas com as equivalências de frequência das cores e notas musicais. Mas como eu consigo ver? Bom, o som é recebido pelo ouvido, convertido em sinais elétricos e enviado para o cérebro. A luz é recebida pelos olhos, convertida em impulsos elétricos e depois enviada pro cérebro. Acontece que o feixe de nervos que leva os impulsos do olho passa próximo aos nervos auditivos. Se vazarem informações de um nervo pro outo, tcharam! ver sons e ouvir cores!  Pelo menos eu li isso na pesquisa de um cara que achei no google.

O que ninguém conseguiu me explicar ainda é como eu consegui sair da porta do meu quarto até esse lugar de um segundo pro outro. Tem mais coisa aí. 

Ai meu Deus tá vindo gente